O concurso formal de crimes e a “Lei da Dosimetria”

observações sobre a Lei nº 15.402/2026

Autores/as

  • Ana Paula Vieira de Carvalho TRF2

DOI:

https://doi.org/10.46274/1809-192XRICP2026v11n1p69-100

Palabras clave:

Lei da Dosimetria, concurso formal, concurso formal impróprio, unidade de conduta, unidade de contexto, ne bis in idem

Resumen

O presente artigo trata do concurso formal e das modificações introduzidas pela chamada “Lei da Dosimetria” (Lei nº 15.402/2026). O tratamento sancionatório diferenciado conferido ao concurso formal se legitima a partir da constatação de um bis in idem parcial, por força da identidade de sujeito e fato histórico. Por conta disso, unidade de conduta, no concurso formal, deve sempre ser entendida como unidade de contexto fático. A doutrina e a jurisprudência alemãs elaboraram algumas construções capazes de expressar o que pode ser considerado unidade de contexto, quais sejam: i) a ação em sentido natural; ii) o parentesco de injusto pelo desvalor da ação; iii) a unidade parcial dos atos de execução e a iv) unidade natural de ação. Assim, o novo art. 359-M-A do CP, ao aludir à unidade de contexto  como requisito do concurso formal,  nada agrega ao que já se encontra previsto no art. 70 do CP, razão pela qual deve ser visto como uma regra explicativa geral sobre o concurso formal, aplicável a todos os crimes, e não apenas àqueles previstos no Título XII do CP. No que tange ao concurso formal impróprio, desígnio não se confunde com dolo; ele nada mais é do que o elemento subjetivo da ação única, ou seja, uma mesma situação motivacional, ou, complementarmente, um só objetivo a ser alcançado pelo agente, através dos vários crimes. Partindo dessas premissas, é natural que em crimes contra o Estado Democrático de Direito praticados em um mesmo contexto haja um único desígnio.

Biografía del autor/a

Ana Paula Vieira de Carvalho, TRF2

Doutora em Direito (UERJ). Juíza Federal (TRF2).

Citas

ABELS, Peter. Die „Klarstellungsfunktion“ der Idealkonkurrenz. Marburg: Elwert Verlag, 1989.

BAUMGARTEN, Arthur. Die Idealkonkurrenz. In: HEGLER, August (Hrsg.). Festgabe für Reinhard von Frank zum 70. Geburtstag. Tübingen: J.C.B. Mohr, v. 2, 1930. p. 188-209.

BAUMGARTEN, Arthur. Die Lehre von der Idealkonkurrenz und Gesetzeskonkurrenz. Breslau: Schletter‘sche Buchhandlung, 1909.

BINDING, Karl. Handbuch des Strafrechts. Leipzig: Duncker & Humblot, v. I, 1885.

BUSATO, Paulo César. Direito penal: parte geral. São Paulo: Editora Atlas, 2013.

CARVALHO, Ana Paula Vieira de. A teoria do concurso de leis e de crimes. São Paulo: Marcial Pons, 2025.

CORREIA, Eduardo Henrique da Silva. A teoria do concurso em direito criminal. Coimbra: Almedina, 1996.

EL-GHAZI, Mohamad. Revision der Konkurrenzlehre: Unrechts- und Schulddivergenzen zwischen Ideal- und Realkonkurrenz. Tübingen: Mohr Siebeck, 2020.

GARCIA ALBERO, Ramon. “Non bis in idem material” y concurso de leyes penales. Barcelona: Cedecs, 1995.

GEERDS, Friedrich. Zur Lehre von der Konkurrenz im Strafrecht. Hamburg: Hansischer Gildenverlag J. Heitmann & Co, 1961.

GRECO, Luís; LEITE, Alaor. Concurso de delitos: uma primeira tentativa de reorientação. Revista do Instituto de Ciências Penais, Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 131-158, 2022. DOI: 10.46274/1809-192XRICP2022v7n1p131-158.

HASLINGER, Rupert. Die mitbestrafte Vortat. München: Dissertations Druckerei Charlotte Schön, 1964.

HEINTSCHEL-HEINEGG, Bernd von. § 52. In: HEINTSCHEL-HEINEGG, Bernd von. Münchener Kommentar zum StGB. 4 Auflage. München: Beck, 2020.

HONIG, Richard. Studien zur juristischen und natürlichen Handlungseinheit. Berlin, Leipzig: J. Bensheimer Verlag, 1925.

HÖRNLE, Tatjana. Tatproportionale Strafzumessung. Berlin: Duncker & Humblot, 1999.

JAKOBS, Günther. Derecho penal: parte general. Fundamentos y teoría de la imputación. 2. ed. Tradução: Joaquin Cuello Contreras e Jose Luis Serrano Gonzalez de Murillo. Madrid: Marcial Pons, 1997.

JESCHECK, Hans Heinrich. Wesen und Rechtliche Bedeutung der Beedigung der Straftat. In: STRATENWERTH, Günter et al. (Org.). Festschrift für Hans Welzel zum 70. Geburtstag. Berlin: Walter de Gruyter, 1974. p. 683-700. DOI: 10.1515/9783110909197-037.

JESCHECK, Hans Heinrich; WEIGEND, Thomas. Lehrbuch des Strafrechts. Allgemeiner Teil. 5. Auflage. Berlin: Duncker & Humblot, 1996. (= Tratado de derecho penal: parte general. 5. ed. Trad. Miguel Olmedo Cardenete. Granada: Comares, 2003.)

KELLER, Christoph: Zur tatbestandlichen Handlungseinheit. Berlin: Duncker & Humblot, 2004.

KINDHÄUSER, Urs. ZIMMERMAN, Till. Strafrecht: Allgemeiner Teil. 11. Auflage. Baden-Baden: Nomos, 2024.

KÜHL, Kristian. Strafrecht: Allgemeiner Teil. 8. Auflage. München: Verlag Franz Vahlen, 2017.

LARENZ, Karl. Metodologia da ciência do direito. Tradução: José Lamego. 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997.

MAIWALD, Manfred. Die natürliche Handlungseinheit. Heidelberg: Carl Winter Universitätsverlag, 1964.

MARTINELLI, João Paulo Orsini; BEM, Leonardo Schmitt de. Direito penal: parte geral. São Paulo: Editora D´Plácido, 2020.

MAURACH, Reinhart; ZIPF, Heinz. Derecho penal: parte general. Tradução: Jorge Bofill Genzsch. Buenos Aires: Astrea, 1995.

MITSCH, Wolfgang. Konkurrenzen im Strafrecht. Juristische Schulung, [s.l.], p. 385 ss., 1993.

NORONHA, Edgard Magalhães. Direito penal: introdução e parte geral. São Paulo: Saraiva, v. 1, 1988.

PACELLI, Eugênio; CALLEGARI, André. Manual de direito penal: parte geral. São Paulo: Atlas, 2015.

PRATES, Felipe Machado. Concurso formal de crimes: panorama dogmático e revisão crítica. Belo Horizonte: D’Plácido, 2019.

PUPPE, Ingeborg. § 52. In: KINDHÄUSER, Urs. Nomos Kommentar zum Strafgesetzbuch. 6. Auflage. Baden-Baden: Nomos Verlag, 2023.

PUPPE, Ingeborg. Die Lehre von der Tateinheit. Teil 2. Juristische Schulung, [s.l.], v. 57, n. 7, p. 637-641, 2017.

PUPPE, Ingeborg. Funktion und Konstitution der ungleichartigen Idealkonkurrenz. Goltdammer's Archiv für Strafrecht, [s.l.], v. 129, p. 143-165, 1982.

PUPPE, Ingeborg. Idealkonkurrenz und Einzelverbrechen. Berlin: Duncker & Humblot, 1979.

RISSING-VAN SAAN, Ruth. § 52. In: CIRENER, Gabriele; LAUFHÜTTER, Heinrich Wilhelm; RADTKE, Henning; RISSING-VAN SAAN, Ruth; RÖNNAU, Thomas (Hrsg.). Leipziger Kommentar zum Strafgesetzbuch. Berlin: De Gruyter, 2020.

RÖNNAU, Thomas; WEGNER, Kilian. Grundwissen – Strafrecht: Konkurrenzen. Juristische Schulung, [s.l.], v. 61, n. 1, p. 17-23, 2021.

ROXIN, Derecho penal: parte general. Especiales formas de aparición del delito. Tradução: Diego-Manuel Luzón Peña, José Manuel Paredes Castañón, Miguel Díaz y García Conlledo e Javier Vicente Remesa. Madrid: Civitas, t. II, 2014.

SANTOS, Juarez Cirino dos. Direito penal: parte geral. São Paulo: Tirant lo Blanch, 2020.

SEHER, Gerhard. Zur strafrechtlichen Konkurrenzlehre – Dogmatische Strukturen und Grundfälle. Juristische Schulung, [s.l.], v. 44, n. 5, p. 392 ss., 2004.

SOWADA. Christoph. Probleme der naturlichen Handlungseinheit. Juristische Ausbildung, [s.l.], p. 245 ss., 1995.

STRUENSEE, Eberhard. Die Konkurrenz bei Unterlassungsdelikten. Bonn: Ludwig Röhrscheid Verlag, 1971.

WALTER, Michael. Die Bestimmung der Tatschuld und Bemessung der Strafe nach der vom Täter entwickelten „kriminellen Energie“– Ein Beitrag zur Entfernung pseudokriminologischer Begrifflichkeit aus dem Strafrecht. In: HIRSCH, Hans Joachim (Hrsg.). Gedächtnisschrift für Hilde Kaufmann. Berlin: De Gruyter, 1986. p. 493-512. DOI: 10.1515/9783110906516-029.

WALTER, Michael. Läßt sich der Handlungsunwert an der aufgewendeten „kriminellen Energie“ messen? Goltdammer's Archiv für Strafrecht, [s.l.], v. 132, p. 197-213, 1985.

WARDA, Günter. Konstruktive Möglichkeiten und Grenzen der Zusammenfassung eines mehraktigen Geschehens zu einer Tat, dargestellt am Beispiel des Tatbestandsmerkmals „quälen“ in § 225 StGB. In: WEIGEND, Thomas; KÜPPER, Georg (Hrsg.). Festschrift für Hans Joachim Hirsch zum 70. Geburtstag. Berlin: Walter De Gruyter, 1999. p. 391-418.

WERLE, Gerhard. Die Konkurrenz bei Dauerdelikt, Fortsetzungstat und zeitlich gestreckter Gesetzesverletzung. Berlin: Duncker & Humblot, 1981.

WESSELS, Johannes; BEULKE, Werner; SATZGER, Helmut. Strafrecht: Allgemeiner Teil. Die Straftat und ihr Aufbau. 53. Auflage. Heidelberg: C.F. Müller, 2023.

ZAFFARONI, Eugenio Raúl; BATISTA, Nilo; ALAGIA, Alejandro; SLOKAR, Alejandro. Direito penal brasileiro. Rio de Janeiro: Revan, v. II,II, 2017.

Publicado

2026-10-09

Cómo citar

CARVALHO, Ana Paula Vieira de. O concurso formal de crimes e a “Lei da Dosimetria”: observações sobre a Lei nº 15.402/2026. Revista do Instituto de Ciências Penais, Belo Horizonte, v. 11, n. 1 (aberto), p. 69–100, 2026. DOI: 10.46274/1809-192XRICP2026v11n1p69-100. Disponível em: https://www.ricp.org.br/index.php/revista/article/view/239. Acesso em: 23 oct. 2026.

Número

Sección

Artigos

Artículos similares

<< < 1 2 3 4 5 > >> 

También puede Iniciar una búsqueda de similitud avanzada para este artículo.